DUAS OU TRÊS COISAS QUE SEI DE ITTALA

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Ittala e sua mãe Edith

POR CLAUDIO VALENTINETTI

Ítala Maria Helena Pellizzari Nandi nasce em Caxias do Sul aos 4 de junho de 1942. O pai, Massimo, “enólogo” e engenheiro agrônomo, originário de Treviso, tinha chegado ao Rio Grande do Sul em 1908 a convite da Estação Experimental de Vitivinicultura para modernizar as uvas da região. A mãe, Edith Pellizzari, foi a primeira mulher, na cidade, a trabalhar em um banco. Ítala Nandi tem duas irmãs, Adriana, dois anos menor, e Sandra, quatro anos menor.

A Cantora Careca

- 1960: depois de uma juventude e uma adolescência bastante solitárias, caraterizadas por estudos em escolas católicas – apesar do anticlericalismo do pai – e por um grande interesse pela leitura, Ítala forma-se em Ciências Contábeis, na Escola Normal São Carlos, de Caxias do Sul, logo após ter descoberto sua vocação teatral, quase por acaso, acompanhando a amiga Yara Mattana, que atua no teatro da Aliança Francesa, defronte à praça central Júlio de Castilhos. No “Espetáculo 1920”, composto de três peças curtas, Ítala estréia em Um Gesto Por Outro, de Jean Tardieu, sob a direção de Nilton Carlos Scotti. A montagem sucessiva é A Cantora Careca, de Eugène Ionesco, com Ítala no papel principal a empregada Mary.

- 1961: durante um intercâmbio cultural com o Teatro Universitário de Porto Alegre, Ítala conhece Fernando Peixoto, crítico teatral do “Correio do Povo”: é um “coup de foudre”. Nem quatro meses depois, em abril, na Igreja de São Pelegrino, o casamento. O desejo do pai que a filha viesse a administrar a empresa vinícola da familia, cai por terra e assim o antigo projeto de estudar Administração de Empresas na URGS acaba, não só por causa da paixão pelo teatro, mas também porque, no mesmo dia das bodas, Ítala muda-se para Porto Alegre, onde, de dia, trabalha como secretaria no Banco Francês e Brasileiro e, à noite, ensaia no Teatro de Equipe: a peça é O Despacho, de Mário de Almeida, em que ela e Peixoto atuam, entre outros, Paulo Cesar Pereio, Milton Mattos e Ivete Brandalise.

Em Porto Alegre, Ítala entra em contato com a intelligentzia local e com alguns componentes do Teatro de Arena de São Paulo – que está apresentando em excursão três peças do seu repertório – e sente-se muito atingida e impressionada. Contemporaneamente, exerce grande influência sobre ela a visão de uma resenha de cinema soviético, no auditório da URGS: a intensidade e a beleza das imagens de Eisenstein, Pudovkin e Vertov deixam-lhe um rastro profundo. Pouco depois, chegam, em tournée, o grupo de teatro da UNE de Rio de Janeiro, que apresenta O Auto dos Noventa e Nove por Cento, de Oduvaldo Vianna Filho, com Joel Barcelos, e o “Teatro dos 7” (Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Ítalo Rossi, Sérgio Brito, Gianni Ratto, Francisco Cuoco, Cláudio Correia e Castro), que, em O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, oferece um pequeno papel, no segundo ato, para Ítala. A vizinhança e a convivência naqueles dias com Fernanda Montenegro ajudam a decisão de Ítala de ser atriz full time.

- 1962: “viagem de núpcias tardia” a São Paulo, onde Ítala, com Fernando Peixoto, visita os amigos do Teatro de Arena, que está pesquisando, por meio do Método Stanislavski (bem conhecido por Augusto Boal, que tinha estudado no Actors’ Studio, em Nova York), o “tipo” brasileiro e uma nova maneira de representar, sem influências européias. Entra também em contato com o Teatro Oficina, o outro novo grande grupo do momento, que a impressiona mais ainda, com seu teatro “sanduíche” e com a novidade de suas montagens baseadas na “rápida intuição” de José Celso Martinez Corrêa, além das interpretações “sensacionais e ousadas” de Henriette Morineau, Ronaldo Daniel, Renato Borghi e Eugênio Kusnet.

- 1963: logo após o retorno de São Paulo a Porto Alegre, em todo o Brasil começa uma época de exceções: depois da renúncia de Jânio Quadros, no Rio Grande do Sul afirma-se o movimento “Legalidade”, de Leonel Brizola, que apoia João Goulart na presidência. A capital gaúcha se transforma em um grande foco de resistência: também o Teatro de Equipe dá sua contribuição, remontando, entre outras iniciativas, a peça O Despacho para exibi-la sobre caminhões nos bairros pobres da cidade. Com a vitória dos partidários da Constituição, volta a calma, e Ítala, que continua planejando a ida a São Paulo com Fernando, começa a ler e a estudar os textos teóricos de Konstantin Stanislavski.

Pouco depois o casal muda-se para São Paulo, onde, quase imediata e automaticamente, resolve a dúvida entre o Teatro de Arena e o Oficina: o primeiro está em crise econômica e em fase de reformulação, o segundo está crescendo muito. Então… Durante o dia, Ítala trabalha como secretária numa agência de publicidade e, à noite,  encontra-se com o marido no Oficina: os dois moram em apartamento a uma quadra da Rua Jaceguay, 520, sede histórica do teatro.

Quatro num Quarto

Em cartaz está Quatro num Quarto, um vaudeville soviético de Valentin Kataiev, grande sucesso há seis meses. A cada noite, esperando que Fernando acabe de trabalhar, Ítala observa o Zé Celso na bilheteria fazendo contas e preparando os bordereaux: é só dar uns palpites e Zé saber que ela é contadora, para que Ítala se transforme em pessoa indispensável ao Oficina, onde – deixando a agência de publicidade – entra na secretaria. Mas ninguém lhe dá muita bola por causa de seu sotaque gaúcho. De repente, porém, a atriz Rosamaria Murtinho adoece e deve ficar afastada do teatro – lotado para as próximas representações – pelo menos por dez dias: Zé Celso por indicação de Augusto Boal que havia visto Ìtala na peça o Despacho em Porto Algre, acaba fazendo um teste com Ítala, e o papel de Ludmila é seu. Definitivamente.

Em 30 de agosto estréia Pequenos Burgueses, uma peça “mágica” de Maksim Gorki, em que Ítala vivencia pela primeira vez o Método Stanislavskiano e, em várias montagens, interpreta até quatro papéis diferentes: a estudante Tzevetaieva, a empregada Pólia, a viúva Helena e a neurótica Tatiana. Paralelamente ela faz, no próprio teatro, o Curso de Interpretação dirigido por Eugênio Kusnet.

Pequenos Burgueses

- 1964, 3 de abril: Pequenos Burgueses é suspenso pela censura militar. Para não deixar o teatro desativado, podendo ser ocupado pelas autoridades golpistas, e enquanto Borghi, Peixoto e Zé Celso estão escondidos num sítio entre São Paulo e Rio de Janeiro, o Oficina decide montar uma comédia, Toda Donzela Tem um Pai que É uma Fera, de Gláucio Gil, que permite também o aproveitamento de todo o grande elenco (18 pessoas, entre atores e técnicos) de Pequenos Burgueses. Mas os problemas não acabam: sob a direção do convidado Benedito Corsi, deveriam atuar Kusnet, Cláudio Marzo, Míriam Mehler, Célia Helena e Raul Cortez. Os dois últimos, porém, deixam o elenco: a primeira por não suportar a situação tensa, e Cortez porque é convidado por Antunes para outra peça. Os substitutos dos dois, afinal, são Tarcísio Meira e Ítala, que faz o personagem de Lolô, uma “loira burra” (por sua atuação, acaba sendo premiada pela Associação Paulista de Críticos Teatrais como melhor Atriz Coadjuvante).

Quando a situação permite e os camburões da polícia desaparecem da frente do Oficina, os três “refugiados” voltam e tomam conta de tudo, possibilitando que a estréia seja na data certa: “Toda Donzela” afirma-se como um enorme sucesso de público. Concomitantemente, após uma batalha de dois meses na Justiça, Pequenos Burgueses, que, mesmo ambientada na Rússia pré-soviética, enfrenta situações bem parecidas com a realidade brasileira, é liberada pela censura, em troca de uma quantia de dinheiro e da substituição, na montagem, da “Internacional” pela “Marselhesa”. A peça de Gorki, em 2 de julho, volta a ser representada no Oficina, e a comédia de Gil continua em um teatro alugado na Avenida São João.
Já é escolhido o trabalho sucessivo: depois de muitas leituras, o Oficina decide-se por Andorra, do suíço Max Frish, em que o cenário de Flávio Império, quase todo em preto e branco, começa a imprimir uma nova tendência cênica. Ítala não trabalha em Andorra e limita-se à parte administrativa e a conhecer a obra da outra grande figura que ficará ao lado de Stanislavski, na pesquisa do Oficina: Bertolt Brecht. Ítala separa-se de Fernando Peixoto e mora, por um certo período, em uma pensão, onde divide o quarto com mais três moças. Etty Fraser torna-se sua grande amiga e confidente.
No mesmo ano, pela primeira vez, o Oficina vai ao exterior, para representar o Brasil no “Primeiro Festival Internacional de Teatro” de Atlântica, no Uruguai, onde vivem ministros, líderes sindicais, o ex-presidente Goulart e outros exilados. O sucesso de Pequenos Burgueses e Andorra é extraordinário. É desse período a primeira experiência televisiva de Ítala, que grava com os colegas, no Canal 4 de Montevidéu e sob a direção de Fernando Peixoto, O Cimento, de Gianfrancesco Guarnieri, no papel de Rosa, uma moça gaga.

- 1965: além de uma grande tournée com Pequenos Burgueses pelo Brasil, o Oficina – que, na sua ausência, aluga o teatro para  shows de Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Chico Buarque, Gil e Caetano, Maria Bethânia e Gal Costa, entre outros – grava, pelo Canal 9, a TV Excelsior, sob a direção de Zé Celso, Toda Donzela Tem um Pai que É uma Fera, e começa a busca de uma nova peça: a escolha recai sobre uma peça de Gorki, Os Inimigos, “que tratava”, escreve Ítala, “de patrões x operários x repressão” na Rússia de 1905. É importante, porém, ressaltar que, durante esse ano, começam a ser traduzidas para o português Na Selva das Cidades, por Renato Borghi e Elizabeth Kander, e Galileu Galilei, por Roberto Schwarz, ambas de Bertolt Brecht, peças e autor que serão fundamentais na evolução futura da pesquisa do grupo. A produção é grande e comporta vinte atores, a sede da estréia será o TBC – Teatro Brasileiro de Comédia -, existe também, pela primeira vez, a figura de um produtor: Joe Kantor. O cenário e os figurinos, suntuosos e belos  – assim como o cartaz, que apresenta uma enorme bota militar esmagando os atores em cenas da peça –  são de Flávio Império. A trilha sonora é de Chico Buarque de Holanda. Entre os ensaios com Zé Celso (40 dias) e a preparação dos atores por Kusnet, delineia-se um novo método de interpretação e cada artista transforma-se em ator-autor de si mesmo. A censura, porém, persegue ferozmente Os Inimigos: há sempre uma coisa que não presta. Para poder apresentar a peça nos tempos previstos, é preciso apelar ao Presidente Castello Branco, que já havia gostado dos Pequenos Burgueses do Oficina, no Rio de Janeiro, no ano anterior.
Neste mesmo ano, Ítala estreia no cinema, atuando no filme americano Gentle Rain, com roteiro e direção de Burt Balaban. Na televisão, na Excelsior de São Paulo, trabalha na telenovela Melodia Imortal, de Ivany Ribeiro, sob a direção de Walter Avancini, no papel de Clarice.

- 1966, 22 de janeiro: Os Inimigos estréia, mas não repete o êxito de Pequenos Burgueses, deixando a crítica e o público divididos. 31 de maio: um incêndio destrói o Teatro Oficina, poupando só os fundos (onde ficam a sala de ensaio, o guarda-roupas e o escritório). As ajudas dos colegas e de todos os expoentes do mundo cultural não faltam: é preciso reconstruir logo o teatro e reagir à adversidade. Imediatamente, no Teatro Cacilda Becker, inicia-se a “Retrospectiva Oficina”, que é um absoluto sucesso.
Ítala, a esse ponto, recebe o convite de Flávio Rangel para fazer, no Rio de Janeiro,  ao lado de Jardel Filho e de Ítalo Rossi, O Sr. Puntilla e seu Criado Matti, de Brecht. A tentação de uma nova criação é muito forte para ela, mas provoca muitas discussões animadas, principalmente com Zé Celso. Mas Ítala, depois de muitas dúvidas, parte para o Rio. A experiência revela-se válida e interessante, seja do ponto de vista humano, seja do profissional: Ítala, acostumada a uma interpretação sempre de dentro para fora, aqui deve enfrentar uma direção que chega já pronta, em que não existe nenhum trabalho coletivo. No Rio conhece também o fotógrafo David Zingg que, ao saber que Ítala é defensora da causa da emancipação das mulheres,  apresenta-a ao jornalista Alessandro Porro, que a entrevista – como “mulher liberada sexualmente” – para a revista “Realidade”, da editora Abril. O número com a reportagem sai nas bancas em dezembro; o título, sobre um close-up do rosto de Ítala, é: “Esta mulher é livre”. Uma semana depois, a revista é apreendida e seqüestrada pela Censura Federal. Os amigos gostam da entrevista que, de alguma maneira, é “ponta de lança” das idéias do Oficina, mas o Brasil mais conservador desvirtua e desvirtuará, por muitos anos, a sua imagem.

- 1967: a boa atuação em O Sr. Puntilla e seu Criado Matti oferece a Ítala a possibilidade de uma bolsa de estudos, em outubro, na França:  é o mesmo Adido Cultural da Embaixada, M. Guy de Britigier, a contatá-la. O Oficina, entretanto,  organiza cursos – um Laboratório de Interpretação, com Luís Carlos Maciel, junto com uma série de aulas teóricas, dadas por Leandro Konder, sobre a dialética materialista e o materialismo histórico – e continua sua “Retrospectiva”: no Rio, a terceira peça será uma remontagem, toda nova – cenário, figurinos, diretor, que é Zé Celso – e centrada no “gestual”,  de Quatro num Quarto. Ítala interpreta Ludmila, a “burguesinha reacionária”. É dessa remontagem em chave mais moderna e atualizada que nasce, de certa maneira, o embrião de uma das representações mais históricas e contundentes: O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, uma peça que, esquecida do público e repleta do V-Effekt brechtiano, é imediatamente escolhida pelo Oficina como nova montagem depois de uma sugestão de Maciel. Desse ponto, dessa peça de 1933, mas muito parecida com a atmosfera do Brasil de 67, desse momento, nascerá uma das muitas caras do Tropicalismo, um dos movimentos mais interessantes daqueles anos difíceis.
Em outubro, Che Guevara morre na Bolívia e o novo Teatro Oficina (novo também na razão social, que é Sociedade Civil e Cultural Teatro Oficina), re-nascido rapidamente das cinzas como fênix, inaugura e estréia O Rei da Vela: Frei Betto assistente de direção, os cenários muito coloridos de Hélio Eichbauer, o palco giratório, um grande boneco com o pênis ereto em cena, Ítala como Heloísa de Lesbos, inquietante nas roupas brancas masculinas e femininas que, pouco a pouco, se mancham de sangue, ou naquelas aerospaciais e futuríveis… O espetáculo decola: “E, ao som de Yes, Nós Temos Bananas, de Lamartine Babo”, é a mesma Ítala que lembra aquela noite mágica, “estréia O Rei da Vela. Todo um resultado de um desejo desenfreado de questionar, de inquietação, de devoração, estava em cena – uma salada de cores, bandeira nacional, deboche, espinafração, humor, tragédia, beleza, pobreza, enfim, um vômito recheado de toda nossa pessoal efervescência. Que happening era aquele? Como tanta irreverência! A platéia e os críticos não sabiam se definir muito bem – estavam entre fascinados e assustados”. Os telefonemas de ameaças recomeçam, enquanto a censura estadual briga, pela própria autonomia, com aquela federal: a polícia entra de novo no Oficina e acaba seqüestrando o enorme pênis de madeira do grande boneco que representava a burguesia brasileira e que voltará a ser usado após Habeas Corpus.
Mas Ítala, agora, apenas um mês depois da estréia, deve deixar seu papel (em que será substituida, sucessivamente, por Dina Sfat e Ester Góis): a França, com sua bolsa de estudos de 600 dólares por mês, a espera. Em Ítala a força de independência, de sentir-se livre, é muito forte: decide deixar tudo e viaja para Paris, onde, em três meses, apesar das inevitáveis dificuldades de adaptação (não só climáticas, mas também por causa das saudades), aprende a falar um bom francês, acompanha uns cursos de interpretação (no Theâtre de la Cité e no Theâtre National Populaire) e freqüenta todos os espetáculos da capital francesa. O primeiro é O Sr. Puntilla e seu Criado Matti, no T.N.P., pela direção de George Wilson, que a deixa perplexa: a montagem e a interpretação são muito frias e formais. Até demais. Em Paris, Ítala participa também do clima de Rei da Vela que está preparando, entre os estudantes e os intelectuias, o grande “Réveillon” de maio de 68: é um pouco como respirar o ar de casa… Passa o Natal com uns exilados espanhóis no Banlieu de la Commune e o Ano Novo em Roma, que descobre como uma cidade de gatos, e misteriosa.

- 1968: de volta a Paris, assiste à Antígona, de Sófocles, na encenação do Living Theatre, que a entusiasma. Logo depois, é a vez de Arlequim, de Goldoni, dirigido por Giorgio Strehler, com a produção do Piccolo Teatro de Milão. Mas não esquece o Brasil: freqüenta sempre a agência da Varig para ler os jornais e acompanhar o que está acontecendo ali. É assim que fica ao par das aventuras de Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda, dirigido por Zé Celso, que é atacado violentamente pelos reacionários como “teatro de agressão”. O clima, em Paris e na imprensa local, é bem diferente, e Ítala, que no momento está vivendo uma intensa paixão com o poeta Thiago de Mello, opta por renunciar a tudo e, escolhendo a clandestinidade, partir para Cuba; conta a todos que está indo a Praga para conhecer a “primavera” de Dubcek, mas não é assim: de Praga, via Irlanda e Canadá, chega a Havana, onde fica uns meses sob o nome de Rosa Hernández, aprendendo a ser espiã e treinando duro na Sierra Maestra. Em Cuba, inesperadamente, encontra também Zé Celso. Depois volta, pelo mesmo caminho, a Paris, onde o joli mai está às portas. No hotel acha correspondência de Zé Celso e de Renato Borghi, comunicando que O Rei da Vela foi convidado para a “Rassegna Internazionale dei Teatri Stabili” em Florença e o “2º Festival International des Jeunes Compagnies” de Nancy. Os resultados se alternam: protestos e escândalos na Itália, enorme sucesso no festival dirigido por Jack Lang. E tal é o sucesso de público e de crítica que O Rei da Vela deve ser apresentado também no Thêatre de la Commune d’Aubervilliers. Uma semana antes da estréia, porém, durante um choque entre a polícia e manifestantes encabeçados por Jean-Luc Godard, uma bomba de cera acaba entrando e estourando no quarto de hotel de onde Ítala, Renato e Zé estão olhando a manifestação: os três acabam no hospital e ficam cegos por uma semana. Depois acontece a greve geral, que bloqueia o país. A troupe do Oficina volta ao Brasil via Luxemburgo, e Ítala fica sozinha em Paris, esperando que acabe sua bolsa de estudo, em junho.
No Brasil a situação é muito tensa, como ela percebe imediatamente no aeroporto de Viracopos, cheio de militares. A violência e a repressão são donas da situação. O primeiro trabalho de Ítala é Poder Negro, de Leroy Jones, com Antônio Pitanga, dirigido por Fernando Peixoto. O espetáculo – muito forte e baseado em textos dos maiores expoentes do Black Power – consegue estrear depois de mil dificuldades (telefonemas anunciando bombas no teatro, a censura que não aparece, etc.) no dia 8 de agosto. Lula, a mulher interpretada por Ítala, é uma policial disfarçada de prostituta que provoca os negros para depois matá-los em legitima defesa: um papel difícil de interpretar, porque muito longe dela. Mas um conselho do “mestre “Kusnet resolve tudo.
O Oficina começa já a preparação da nova peça, o Galileu Galilei, de Brecht. Porém, nas reuniões de produção e nos ensaios, aparecem algumas divergências fortes demais e ligadas sempre à atmosfera pesada em que se vive. O “Galileu” estréia no 13 de dezembro, um dia após a promulgação do Ato Institucional nº 5, que cancela qualquer forma de liberdade no Brasil. Ítala é Virgínia, a filha de Galilei, interpretado muito bem por Cláudio Corrêa e Castro. Como a peça fala de obscurantismo, repressão, violência, invasões, o Oficina fica na mira do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), que acaba de invadir Roda Viva e continua ameaçando por telefone. A esse ponto, é obrigatório atuar em cena com uma grande grade de madeira – que é, por um lado, a cadeia de Galilei e, por outro, uma defesa para os atores -, além de haver sempre uma escada pronta, nos fundos, para pular o muro, e uma sirene instalada no bar da esquina, em caso de ataque ou invasão… O “Galileu” é um sucesso, que reconcilia a crítica com Zé Celso, depois das polêmicas do “teatro de agressão”; no Rio, no Teatro Maison de France, o êxito é até maior do que em São Paulo, é um verdadeiro estrondo. Mas é também o primeiro momento de desentendimento grave entre Ítala e Zé Celso, que insiste na contraposição entre os “representativos”, os atores de nome, e o “coro”, os novos que estréiam.
Ítala, logo depois, é substituída por Martha Overbeck: deve rodar América do Sexo, um filme em quatro episódios dirigidos por Luiz Rosemberg Filho, Flávio Moreira da Costa, Rubem Maya e Leon Hirszman. Durante as tomadas, Ítala conhece André Luis de Souza Faria, que será seu companheiro por nove anos e o pai de Giuliano, seu único filho, que nasce em 1972.

- 1969-1970: na página final do programa de Galileu Galilei o Oficina anuncia o próximo espetáculo, Na Selva das Cidades, sempre de Brecht, mas que representa mais uma etapa da pesquisa do grupo, que a Stanislavski junta o “desencouraçamento” de Wilhelm Reich, o livro de Eugenio Barba Em Busca do Teatro Perdido, além das experiências de Jerzy Grotowski sobre o “teatro povero” e o auto-desnudamento, e o “teatro da crueldade” de Artaud. Os ensaios – seis meses – começam em Curitiba e prosseguem em São Paulo, enquanto continuam as representações do “Galileu”: os laboratórios, nesse caso – contrariamente a quanto aconteceu com O Rei da Vela e o mesmo “Galileu” –, são muitos e exacerbados, para provocar uma outra grande revolução cultural no grupo, para ir atrás dos “arquétipos”, para procurar o gesto social, para destruir os mitos. Toda essa extremização leva os mesmos membros do grupo, caraterizados por uma carga nervosa exasperada pela pesquisa dentro de si e na vida real, lá fora, onde a situação repressiva é a cada dia mais dramática e forte (é a época de “Brasil: Ame-o ou Deixe-o”), quase ao caos, ao transe: em cada ensaio, ou quase, o cenário de Lina Bo Bardi, autora também dos figurinos – a estrutura do teatro à mostra, pichações de frases e de slogans nas paredes, madeiras, tijolos e lixo provenientes da obra do Minhocão paulista -  é praticamente destruído. E quase todos os atores apresentam reações colaterais: Ítala não conseguindo fechar os olhos durante o sono, Othon Bastos tendo coceira em todo o corpo, Renato Borghi acabando no psicanalista etc. A cada dia, paralelamente, a realidade cancela o “sonho Oficina” de Ítala, que interpreta magnificamente o personagem de Maria Garga, garota simples e virgem; com ela, extraordinários, Renato Borghi (George Garga, irmão de Maria) e Othon Bastos (o chinês Schlink). “Essa história criada pelo jovem Brecht”, escreve Ítala, “é contada em doze rounds, envolve a família Garga e desestrutura a todos – pai, mãe, filhos que tentam viver na selva das cidades. Maria acaba obrigada a empregar-se como prostituta no bordel de Schlink”… O programa da peça é um jornal colocado dentro de um saco plástico, junto com serragem e lixo; os peixes que Bastos retira da areia são verdadeiramente podres; no quarto round, para criar a cena do Lago de Michigan, o chão do palco é coberto de folhas de eucalipto, cujo cheiro mistura-se àquele denso de incenso, espalhado em todo canto do teatro. Além da carga revolucionária e dramática da encenação, o fato de Ítala se apresentar sem premeditação, espontanea e naturalmente nua, na cena do bordel, provoca comentários e fofocas; mas a censura, que “deve” assistir a um ensaio que dura seis horas seguidas (para o público, depois, a duração da montagem é reduzida a três horas), nem se liga no assunto, libera a peça para todos acima dos 18 anos e acha a nudez de Ítala, que passará à história, “muito inocente”. Mas essa nudez desencadeia – além de uma denúncia por obscenidade de uma mulher de um coronel, no Rio de Janeiro – uma série de entrevistas e de ensaios fotográficos nas revistas “Fair Play”, “Fotos & Fatos” e “O Cruzeiro”.
Logo depois da estréia, Ítala é convidada para trabalhar, em Santos, no filme de Sérgio Ricardo, Juliana do Amor Perdido: um carro a espera sempre, à noite, depois do espetáculo para levá-la até Santos, onde as tomadas são de manhã cedo. No mesmo tempo, José Mojica Marins – Zé do Caixão – fica entusiasmado pela “Selva” e pede para “roubar” uma cena para seu filme Ritual dos Sádicos (inédito até 1983, quando é apresentado com o título O Despertar da Besta): a cena é a de um garrafão de vinho sendo derramado entre as pernas de Ítala. No filme de Mojica Marins acaba atuando também Ítala, junto com André Faria. Pouco antes, tinha feito um cameo também no filme “udigrudi” de Rogério Sganzerla, O Bandido da Luz Vermelha.
Na Selva da Cidade é, de qualquer maneira e em qualquer lugar em que seja apresentada, um escandaloso sucesso. Mas a pergunta, agora, é: “E depois?”. O Oficina precisa parar e refletir sobre seu caminho futuro: o grupo decide, então, e apesar de tudo, não fazer mais a “Selva” e tomar uma pausa para reflexão. Na volta das férias-pausa, Ítala está decidida a interromper sua participação teatral no Oficina, também como administradora. Ela quer aceitar os convites para trabalhar como atriz em dois filmes – Os Deuses e os Mortos, de Rui Guerra, e Pindorama, de Arnaldo Jabor -, cuja rodagem a obrigará a ficar fora de São Paulo por seis a sete meses, sendo realizados em Ilhéus e em Itaparica, na Bahia. Na opinião de Ítala, naquele ponto, o Oficina deveria partir para a produção cinematográfica, aproveitando a presença de André Faria.O grupo lê um argumento de André (Porto Seguro, que se transformará, com a colaboração ao roteiro de Renato Borghi e Zé Celso, em Prata Palomares) e aprova. Paralelamente, Fernando Peixoto deveria dirigir o Dom Juan de Molière, com Gianfrancesco Guarnieri no papel do protagonista.
Depois das filmagens de Os Deuses e os Mortos, Ítala volta para São Paulo, onde Zé Celso comunica ao grupo ter convidado, para um trabalho, o Living Theatre: em troca o Oficina forneceria comida e estadia por três ou mais meses para o grupo. Ela declara-se profundamente contrária ao projeto, já que uma infra-estrutura assim nem o pessoal do Oficina tem. Antes de voltar à Bahia para as filmagens de Pindorama, porém, viaja com Faria e Borghi para escolher as locações para rodar Prata Palomares: a viagem é aventurosa, entre blitz militares e bloqueios do trânsito por horas, mas, afinal, a escolha cai sobre a Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Entretanto, em São Paulo, Zé Celso anuncia – além das sete, oito pessoas do Living Theatre – a chegada, também, do Grupo Lobo, da Argentina, isto é mais seis pessoas, que acabariam morando no apartamento de Ítala, enquanto ela estivesse filmando. As tomadas em Florianópolis são muito tensas e as discussões não param; apesar disso, Prata Palomares respeita os prazos. Quando o grupo volta para São Paulo, o Dom Juan já havia estreado e está funcionando muito bem. Quando o Living chega, o único com quem Ítala simpatiza é  Julian Beck. Mas com os outros… “Eles me discriminavam”, lembra ela, “por eu não ter pontos de identificação com experiências como sexo grupal, homossexualismo, tomar ácido”. Além disso, os “Lobos” haviam destruído seu apartamento. A esse ponto, Ítala coloca na porta do apartamento um cartaz bem explicativo, “Yankee, go home!”, e muda-se, em uma semana, para o Rio de Janeiro, onde, em seis meses, finaliza, com André, Prata Palomares.

- 1971: o filme participa da “Semaine de la Critique” no Festival de Cannes, depois de ter sido bloqueado pela censura que recusa a concessão do visto de exportação, e passa só em sessões privadas (Prata Palomares acabará sendo liberado só em 1977). Na mesma edição do festival francês, Ítala está presente com Os Deuses e os Mortos, na “Quinzaine des Réalisateurs”, e com Pindorama, no “Concours Oficiel” pela Palma de Ouro. Neste mesmo ano, Ítala é atriz e produtora também em Roleta Russa, um filme de Braulio Pedroso e André Faria. No Brasil, pelo filme de Ruy Guerra, Ítala ganha a prêmio Coruja de Ouro como melhor atriz.

- 1973: nos anos Setenta a presença de Ítala é mais forte no cinema do que no teatro, como confirma a sua participação, com um extraordinário Joel Barcelos, além de Milton Morais, em Sagarana, de Paulo Thiago. Em teatro, Ítala inicia novas atividades, que incluem também aquela de produtora independente, com O Prisioneiro da 2ª Avenida, de Neil Simon. A direção é de Victor Berbara. Em cinema, então, três filmes: A Cartomante, de Marcos Farias, Guerra Conjugal, uma adaptação dos contos de Rubem Fonseca feita por Joaquim Pedro de Andrade, e Pecado na Sacristia, do seu grande amigo Miguel Borges.

- 1974: em teatro, O Ministro e a Vedete, de Henneckin e Weber, pela direção de Geraldo Queiroz. Neste ano, Ítala participa também de outro filme (proibido, naturalmente: afinal, em sua história cinematográfica serão seis os filmes bloqueados pela censura), Noite sem Homem, de Renato Neumann.

- 1975: com Luiz Antônio Martinez Corrêa, expoente do Teatro Pão e Circo e irmão de Zé Celso, participa da criação coletiva e da produção cooperativada Simbad, o Marujo, uma história das Mil e uma Noite. Ítala atua em vários papéis, entre os quais aquele de Cherazade. Em cinema, mais dois filmes: Barra Pesada, de Reginaldo Farias, e Os Homens que Eu Tive, de Tereza Trautmann.

- 1976: Vivaldino, Criado de dois Patrões, de Goldoni, direção de José Renato. Cinema: O Cortiço, de João Ramalho. No ano, Ítala recebe o Prêmio Molière “Air France” como melhor atriz, por sua atuação no filme de Joaquim Pedro de Andrade,  Guerra Conjugal.

- 1977: Prata Palomares é liberado para exibição no exterior pelo Ministro do Planejamento, Reis Veloso. Ítala, no curso do ano, participa também a Só Restam Estrelas, de Wilson Silva. TV: na Globo, O Pulo do Gato, com a direção de Walter Avancini.

- 1978: é a vez de uma peça realizada com Norma Bengel, a inesquecível atriz de Os Cafajestes. A peça se chama, não por acaso, Fico Nua, e faz ironia sobre as vidas anteriores das duas atrizes: é um enorme sucesso, mesmo se as relações entre elas ficam muito tensas.. Dois são os filmes em que ela participa neste 1978: Muito Prazer, de David Neves e Amor e Traição, de Pedro Camargo.

- 1979: o ano é quase totalmente dedicado por Ítala ao filme de Joaquim Pedro de Andrade, O Homem do Pau-Brasil, sobre o “mestre” e guru Oswald de Andrade. Na TV Globo, atua no episódio À Procura no seriado Carga Pesada, de Gianfrancesco Guarnieri. A direção é de Milton Gonçalves.

- 1980: Ítala Nandi estréia na direção cinematográfica com In Vino Veritas, uma aguda e profunda análise sobre a imigração italiana no Sul do Brasil, de que é também roteirista e produtora.

- 1981: As Criadas, de Jean Genet. A direção é assinada por Gilles Wranizek. Uma “pesquisa” cinematográfica com seu companheiro Frederico Confalonieri a leva na zona Norte do Rio de Janeiro, em um dos templos mais clássicos do samba: a Mangueira. Nasce assim o filme Fala Mangueira .

- 1983: com uma cenografia bem moderna, um clássico, Édipo Rei, de Sófocles, dirigido por Márcio Aurélio: Ítala é uma esplêndida Jocasta (produção cooperativa).

- 1984: Amor em Campo Minado, de Dias Gomes, produzido pela Nandi Produções, diretor: Aderbal Jr.

- 1986: 3 x 21 de Abril, de Poty Peregrino. Direção de Marcos Fayal. Televisão: na Globo, é atriz (nos papéis de Joana, Bárbara e Nanette) em O Direito de Amar, original de Janete Clair escrito por Walter Negrão. A direção é Jayme Monjardim.

- 1988: partindo de uma idéia do filho adolescente Giuliano, Ítala desenvolve,  produz (Nandi Produções Artísticas) e realiza um “musical”, dirigido por Márcio Meirelles: Uma só Andorinha não faz Verão. Trabalha também (é Loulou Lion), na TV Globo, dirigida por Jorge Fernando, na novela Que Rei Sou Eu?, de Cassiano Gabus Mendes.

- 1990: segundo filme produzido, escrito, dirigido e narrado por Ítala: é Índia, o Caminho dos Deuses, um diário de viagem não formal pela Índia, sua cultura e seus significados. Novela: Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa, na TV Manchete, sob a direção de Jayme Monjardim, no papel de Madeleine.

- 1992: Ítala é atriz convidada para atuar na versão teatral de Brida, de Paulo Coelho, na adaptação de Tiago Santiago dirigida por Luís Carlos Maciel. No mesmo ano, produzida pela Nandi Produções Artísticas, é a vez de A Amante de Tiradentes, de Thiago Santiago. A direção é ainda de Thiago Santiago. Televisão: episódio Oxumaré da minissérie Mãe de Santo, de Luiz Carlos Coutinho, na TV Manchete, sob a direção de Henrique Martins. Escreve e publica, pela Editora Nova Fronteira, do Rio de Janeiro, o livro Teatro Oficina, onde a Arte não Dormia, que conta sua fascinante experiência no grupo teatral paulista.

- 1993: em junho, Ítala assume a direção da Escola de Formação de Atores de Teatro, Cinema e TV, na Faculdade da Cidade do Rio de Janeiro (que, a partir de 1999, passará a nível universitário com o nome de UniverCidade do Rio de Janeiro), além de ministrar a matéria de Artes Cênicas. A experiência continuará até 2002. Durante os anos na UniverCidade, um dia Ítala recebe de presente de uma aluna uma consulta com uma grafóloga: o resultado é a transformação de sue nome, Ítala, em Ittala, que ela acha mais prático e aderente à sua personalidade.

- 1994: outra “Nandi Produções”: Maria Minhoca, de Maria Clara Machado. É a estréia de Ittala como diretora teatral. Televisão: episódio Em Família, escrito por Antonio Carlos Fontoura para a série Você Decide. Direção de Fábio Barreto (TV Globo). Sempre na Globo, no programa Globo Repórter, Ittala dá uma entrevista sobre o tema “Mulher Madura”. Traduz do italiano o livro Valores Humanos. Uma viagem do “Eu” ao “Nós”, de Antonio e Sylvie Craxi, pela Editora Cosmo de São Paulo.

- 1996: leva à cena um dos clássicos do teatro brasileiro contemporâneo, Navalha na Carne, de Plínio Marcos, que produz e dirige com habilidade e autoridade, sem deixar saudades de outras famosas edições (com Glauce Rocha e com Vera Fisher). Televisão: na SBT, é Miss Daisy em Colégio Brasil, escrito e  dirigido por Roberto Talma.

- 1997: O Capataz de Salema, de Joaquim Cardozo, direção de Sérgio Mamberti.

- 1998: um clássico moderno do mesmo autor de Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, Edward Albee: Um Equilíbrio Delicado, dirigido por Eduardo Woitzik, onde Ittala, além de produzir a peça, atua extraordináriamente no papel de uma bêbada sem salvação. Na  Globo, participa em Como Eles Amam, da série Você Decide, dirigido por Cecil Thiré, e no episódio Morte no Trem de Prata, da série A Justiceira, dirigida por José Alvarenga Jr.

- 1999: segunda edição do livro Teatro Oficina, onde a Arte não Dormia.

- 2000: neste ano, Ittala volta aos primeiros amores, Maksim Gorki e o Teatro Oficina, que homenageia (convidando a atuar junto com ela Renato Borghi, Fernando Peixoto e Zé Celso, este último numa breve, irônica aparição cinematográfica), na peça, produzida por ela, Vassah, A Dama de Ferro; é um grande sucesso que recupera a última obra de Gorki, na época do terror estalinista. A direção é de Alexandre Mello. No mesmo ano, As Aventuras de Tio Patinha, de Augusto Boal, que ela produz e dirige, confirma, de alguma maneira, a sua volta às antigas fontes de inspiração.

- 2001: Ittala retoma e apresenta em excursão nacional Vassah, A Dama de Ferro.

- 2002: lança, em Salvador da Bahia, durante a Jornada de Cinema, a terceira edição do livro Teatro Oficina, onde a Arte não Dormia.

- 2003: entre outros projetos, está finalizando o livro Amor ou Sorte, Pátria ou Morte. Em campo cinematográfico, está em fase de captação de recursos do roteiro Jesus de Nazaré. Em teatro, está em cartaz com a peça de Thiago Santiago e Leila Macedo Oda DNA – Nossa Comédia.

- 2004: retoma as apresentações da peça DNA – Nossa Comédia, com estréia no Rio de Janeiro, no Teatro João Caetano e lança pela editora Hucitec o seu livro Teatro Começo Até…, na Feira do Livro de Porto Alegre, RS, no dia 2 de novembro.

- 2005: é convidada pelo então Governado do Paraná, Roberto Requião para fomentar o Polo de Cinema daquele estado. Vai à Curitiba, conversa pessoalmente como Governador que lhe dá carta branca para agir. Ittala depois de conhecer melhor as condições do audiovisual local, propõe que seja criada uma escola de ensino de direção cinematografica e televisiva com a construção de um primeiro estudio cinematográfico tendo ao lado salas de aulas; propõe a criação simultanea de um grande festival de cinema para dar maior luz ao cinema local. A proposta de Ittala é aceita pelo Governador que lhe autoriza a procura do local. Na busca pelo lugar ideal ela conhece um parque abandonado, o Parque Newton Freire Maia, no bairro de Pinhais, que outrora havia abrigado exposições industriais, de gado e cavalos e atualmente estava desativado, abandonado. Apenas as construções se mantinham de pé e o Pavilhão das Industrias que havia se transformado num fantástico pombal, pareceu a ela o local ideal para ser a sede da escola e perfeito para a instalação dos estudios. Aprovado pelo Governador Requião, o projeto é colocado em prática e de abril quando foi iniciado o projeto à agosto do mesmo ano é oficialmente inaugurada a Escola Superior Sul-Americana de Cinema e TV do Paraná – CINTVPR com vestibular realizado e aprovados os primeiros 30 alunos que já puderam receber aulas nas 3 salas construidas no Pavilhão dos Estudios. No mesmo mes de agosto desse ano de 2005 é realizado o 1º. Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino com filme de Cuba, da Argentina, e da Venezuela e com a presença de importantes diretores e atores brasileiros.  Para a inauguração da Escola igualmente são convidados artistas de renome nacional. Ainda em 2005 assina contrato com a Rede Record de TV e sob a direção de Alexandre Avancini inicia as gravações da novela de Tiago Santiago Prova de Amor.

- 2006: continua na Coordenação e dando aulas de Direção de Atores na CINETVPR, quando é inaugurado o primeiro dos tres estúdios projetados para serem construidos no Pavilhão principal do Parque. O Auditório Mauricio Frueit que existia dentro do Pavilhão, mas que estava inativo, com capacidade para 350 pessoas, é reformado e passa a servir para as atividades internas da escola. Mais um prédio também é reformado na parte externa para abrigar a sede da Coordenação Administrativa e Coordenação Técnica a cargo de André Faria. É convidada para participar do Festival de Cinema de Veneza na ocasião da Mostra dos filmes  de Joaquim Pedro de Andrade quando dois de seus filmes com o cineasta são apresentados Guerra Conjugal e O Homem do Pau Brasil.

- 2007: permanece na Coordenação e dando aulas na CINETVPR, até julho desse ano quando pede seu desligamento dessas atividades educacionais e inicia as gravações da telenovela de Tiago Santiago Caminhos do Coração sob a direção de Alexandre Avancini para a TV Record. Em agosto realiza a 2ª. Edição do Festival do Paraná de Cinema  Brasileiro Latino na sede do Museu Oscar Niemeyer – MON.

- 2008: realiza o 3º. Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino, na mesma sede do Museu Oscar Niemeyer – MON e inicia as gravações da telenovela de Tiago Santiago Os Mutantes sob a direção de Alexandre Avancini. Auxilia na organização de produção da TV Record junto  ao Governo do Paraná e a Prefeitura de Foz do Iguaçu,  para as gravações dos últimos capítulos da telenovela Os Mutantes nas Cataratas do Iguaçu. Gravações são realizadas com total apoio da comunidade de Foz.  Em dezembro desse ano é oficializado através do Ministério da Justiça o ISA Instituto Sul Americano de Audiovisual, no cargo de Presidente. O ISA é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público ou OSCIP.

- 2009: realiza o 4º. Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino, na sede do Museu Oscar Niemeyer – MON na capital Curitiba. Prepara orçamento para a Lei Rouanet referente ao próximo festival de 2010.

- 2010: Lei Rouanet aprovada para o 5º. Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino que não foi realizado na data estipulada porque o novo Governador Beto Richa, que tomou posse em janeiro desse ano,  não manifestou o menor interesse em dar continuidade ao Festival. Ittala finaliza seu primeiro romance O Sonho de Vesta e inicia o contato com editoras. Em dezembro renova contrato com a Rede Record de TV até 2016.

- 2011: aos 19 de março realiza reunião com o Prefeito de Foz do Iguaçu com a intenção de sugerir a transferencia do Festival de Cinema com sede em Curitiba para Foz do Iguaçu. A proposta foi muito bem recebida, pelo Prefeito Paulo Mac Donald Ghisi e seus secretários presentes a reunião. Forneceu uma Carta de Intenção para encaminhamento aos prováveis patrocinadores. Nessa reunião ficou estabelecido o novo nome do festival 1º. Festival de Cinema do Iguassu e o nome do troféu Premio Itaipu. A Lei Rouanet é novamente prorrogada para captação uma vez que a data escolhida pelos representantes oficiais da comunidade de Foz do Iguaçu, é Abril de 2012.