Ensinar é Procurar

VALORES HUMANOS

ENSINAR É PROCURAR

 

“O homem que está em harmonia é aquele que procura a verdade nos seus pensamentos e nas suas atitudes. A coerência é o fator fundamental daquele que investiga onde está a verdade!

A coerência, uma característica humana

A pessoa que procura a verdade é aquela em que os pensamentos e as ações estão em harmonia. A coerência é o requisito indispensável para quem busca a verdade. Apenas essas pessoas são merecedoras de se aproximarem da verdade e de ganhar a paz mental. Nascer humano, como dizem os sábios de todos os tempos, é um dom raro. Por isso, por ter ganhado um tão grande privilégio o homem deveria usar o que existe de melhor em si mesmo para conseguir o superior estagio que é o de praticar a verdade que mora nele. E para esse fim, ele precisa vivenciar no seu cotidiano a unidade entre pensamentos, palavras e ações.

Se estas três atitudes forem usadas de maneira correta, o complexo inteiro do crescimento da personalidade será beneficiado. Porém, se forem mal usadas, a pessoa está sujeita à degradação. Elas podem ser a razão tanto da ascensão, como da decadência.

A natureza da mente, sede do pensamento

Vamos observar a mente: ela é a moradia do pensamento, sempre preparada para falar consigo mesma e fazendo projetos. A qualidade de elaborar projetos pode levá-la com freqüência a encontrar soluções fúteis para os problemas.

É importante cortar essa tentação, não deixando que questões e pensamentos atrapalhem o seu descanso e diminuindo assim em muito o seu poder de concentração.

Se utilizarmos o nosso tempo, por exemplo, a procurar defeitos nos outros, como ter inveja, pensar em coisas superficiais, a mente fica embebida como um mata-borrão e isso bloqueia o seu desenvolvimento evolutivo.

Maneiras para o controle da mente

Há três formas de dirigir e controlar a mente:

1)   A introspecção ou reflexão interior que está baseada na observação profunda do que é falso e o que é concreto, verdadeiro, sobre o que é eterno e o que não é sobre as eternas verdades faladas pelos filósofos e pelos santos de todas as religiões;

2)   O serviço social: quando a mente está ocupada com pensamentos, como por exemplo, instruir os alunos, passar para eles altos ideais, ensinar pensamentos bons, curar e reconfortar doentes, a mania que a mente tem de dialogar consigo mesma de forma estéril irá parar automaticamente;

3)   Exercícios respiratórios de inspirar e expirar regularmente com a atenção voltada sobre um só objeto, ou apenas concentrados na própria respiração, na entrada e saída do ar, constitui um ótimo remédio para acalmar as ondas mentais.

Estes três modos são interligados e todos levam ao controle da mente e à sua limpeza.

É preciso saber que a mente é muito teimosa e de difícil controle, mas praticando e com a vontade, pode-se perfeitamente dominá-la segundo nossa inteligência comandar.

Limpar a mente deve ser uma grande determinação do homem, porque esse é o caminho que temos para preservar as boas qualidades humanas; ela deve ser treinada para querer coisas boas e se negar ao que não for bom.

Quando um prato se rompe temos como consertá-lo, mas se a menta fica fragmentada ninguém terá forma de recuperá-la.

As pessoas que são frágeis, fracas mentalmente, se entregam facilmente às pequenas desilusões e aos pequenos problemas e não têm coragem nem a constância de que precisam, para a batalha de enfrentar os desafios da vida.

A pureza da mente

Exercitar a concentração para fortalecer as qualidades latentes das pessoas, o ato de escutar, refletir e por em pratica os ideais humanos tudo isso tem como finalidade limpar a mente e romper com o interminável falatório consigo mesma.

Abolir a mente é uma coisa impossível e além do que é através dela que o homem conseguirá conquistar a liberdade da escravidão e do sofrimento.

Quando um pescador quer pescar ele vai utilizar um anzol e uma isca. Um animal feroz pode ser domado para se apresentar num circo e pode-se brincar com uma serpente se lhe arrancarmos os dentes venenosos. Da mesma maneira ocorre com a mente quando tiramos dela o veneno produzido pela ira, pelo ódio, pela inveja, pela cobiça, luxuria e pelo orgulho. Se essas qualidades negativas forem cortadas, a mente fica calma e pode ser utilizada para o bem pessoal e da humanidade.

O poder da palavra

O segundo instrumento é a palavra. Nas palavras encontramos um grande poder: o de elevar ou de arrastar a pessoa para baixo.

Por exemplo, se dissermos para alguém que irá acontecer uma catástrofe, essa pessoa pode entrar em pane, desmaiar e ficar impossibilidade de qualquer força física ou mental. Se, de outra maneira, fizermos a mesma comunicação, para a mesma pessoa, com palavras de encorajamento e com muito afeto, ela poderá se sentir forte como um elefante e será capaz de enfrentar qualquer coisa.

Cortar uma árvore com um machado não irá impedir que ela possa crescer de novo, mas se isso for feito com uma pessoa, mentalmente ela está correndo o risco de não conseguir mais se levantar.

Como usar as palavras

Há três regras que os grandes sábios nos ensinaram para o bom uso da palavra.

1)   Não mentir nunca.

2)   Calar a verdade ou deixá-la mais doce se ela pode ferir alguém.

3)   Não falar nada que não seja verdade, só para ser simpático ou agradar alguém.

As pessoas deveriam fazer tudo para tirar do seu corpo a violência; impedir a sua língua de mentir, a mãos de serem agressivas e a consciência de pensar negatividades.

Quando a verdade, como valor humano básico, for falada, as palavras devem ser doces, agradáveis e repletas de amor.

A palavra não deve ser nunca portadora de paixão de agitação e de fanatismo.

Falar menos e trabalhar mais

Tudo o que dizemos não deve ser esquecido, deve ficar registrado bem no fundo do coração. As palavras que foram registradas devem, de tempos em tempos, voltar à memória, para dar os avisos de não perder o controle, falar sem emoções, para apenas fazer o bem e para nos dar conselhos de ficar em silêncio quando nos defrontamos com as piores provocações.

A língua deveria aprender a ficar quieta junto com a mente, e apenas se manifestar sob o nosso total controle com a única finalidade que é falar o bem. Mas hoje em dia é mais fácil fazer um pacote com água do que conseguir calar as conversas inúteis. Com certeza não é preciso fizer que quem trabalha não fala e que aquele que fala não trabalha. É mais sábio falar menos e trabalhar mais.

É preciso cuidar muito com o que se diz porque nossas palavras imprimem sinais sobre os que nos escutam e muito mais profundamente em nós mesmos.

A ação e a lei das consequências

Vamos analisar agora o terceiro instrumento: a ação. No trabalho estão incluídas todas as ações feitas pelos dez sentidos: as da atitude de agir e aqueles da percepção.

A ação está interligada a lei de causa e efeito que é uma lei de ferro. Toda atitude acarreta sua consequência; gostando ou não, devem ser aceitos o frio ou o calor, o vento e a brisa como consequências naturais de certas causas.

Esse principio é aplicado seja na física ou na moral e dele é impossível escapar: “Fazendo o bem, receberás o bem, faça o mal e receberás o mal.”

E o mais importante é saber que essa lei é fundamental para a imprescindível evolução ou involução dos seres animados ou inanimados.

As razões das nossas dores ou alegrias são as nossas próprias ações.

A miséria econômica, a falta de saúde física e mental, são consequências de nossas ações anteriores, seja no plano pessoal ou no coletivo.

O pecado não vem de dentro de nós, mas da nossa atividade física e mental.

Isso não habita em outro mundo, mas está aqui e só podemos descobrir graças às nossas atitudes.

A razão da crise moral atual

Diz-se o tempo todo que o homem possui as mais nobres qualidades que possam existir, mas na verdade muito poucos as colocam em prática.

Outros dizem saber qual é o segredo para acordar o homem da sua ignorância e do seu torpor. Há milhares de mestres que recomendam ideais maiores; o mercado está lotado de livros nesse sentido e os educadores inventam as mais diversas técnicas para ajudar o homem a manifestar as suas qualidades latentes. No entanto, apesar da abundancia desses movimentos, o mundo caiu numa terrível crise moral. Qual a razão?

Alguém pratica o que lê e aprende? Os professores e educadores decoram, copiam as idéias dos outros e as modificam segundo seus pontos de vista e de ensino, mas nenhum deles fala segundo a sua própria experiência pessoal; assim, dessa maneira, viver ficou tão perigoso como colher uma flor de lótus no meio de um rio repleto de crocodilos famintos.

A finalidade da vida humana

A vida humana, porém, é como um bloco de gelo que rapidamente se derrete. Antes de deixarmos esse palco, o homem deve se conduzir no sentido de poder dividir com os outros o seu conhecimento e os seus talentos com o maior numero possível de pessoas.

Para conseguir isso, é preciso desabrochar e armazenar muitas idéias elevadas. Toda pessoa é resultado das situações e dos esforços que fez para enfrentá-las.

Uma pessoa multiplicada ao infinito se transforma no Absoluto; a mente multiplicada ao infinito é igual à mente cósmica: Vontade Suprema.

Um ser humano é a ponte que serve de ligação entre o visível e o invisível e é muito mais precioso do que podemos calcular, porque é nele que habita o princípio de todas as coisas.

Contudo, infelizmente, o ser humano mede seus valores com o metro da riqueza, da fama e do nome que tem, e assim fica impossível para ele ver que é muito mais do que tudo isso somado.

Estão nele as condições para desenvolver a pequena chama do amor altruísta que ali reside e com ela abranger todas as criaturas.