VALORES HUMANOS

MEIOS DE PERFEIÇÃO EM CADA CAMPO DA EXISTÊNCIA

 

“Com amor no pensamento, haverá verdade.

Com amor na ação, haverá justiça.

Com amor no sentimento, haverá paz.

Com amor na compreensão, não haverá violência.”

 

Valores humanos, bagagem espiritual do homem

Já definimos quais são os valores humanos: a Verdade, a Ação Correta, o Amor, a Paz e a Não Violência.

São qualidades intrínsecas do ser humano e a carga espiritual com a qual ele pode viver a própria vida em paz consigo mesmo, com o seu próximo e conquistar a perfeição em cada instante da vida e assim conquistar os seus fins.

Alcançar a própria unidade em todas as coisas criadas, descobrir a harmonia em si mesmo e na relação com o mundo que o certa, é esta a finalidade da vida e não aquela de se portar como um ser que pertence a uma espécie inferior, limitando-se a utilizar o mundo para o próprio prazer pessoal, sem respeito nenhum por seus semelhantes, sem qualquer amor pela criação. Para conquistar o objetivo maior, o homem precisa estar equipado naturalmente com os seus cinco valores, e conforme a forma como souber expressar seus pensamentos através das palavras e nas ações, certamente alcançará a perfeição fundamental nas metas que estabelecer para serem alcançadas.

 

Verdade, o principio da vida

A verdade: é nela que se encontra o princípio básico para que a vida possa existir. Sem a verdade, que é o próprio respirar das criaturas, é impossível a vida em qualquer canto do universo.

Somente o homem de palavra e de ação é capaz de experimentar esse princípio, que não pode ser definido por palavras.

Já ouvimos dizer que existem duas formas de verdade: uma que é perceptível pelos nossos cinco sentidos, que é o que vemos, tocamos, escutamos, sentimos e gostamos. Outra é a verdade que não sentimos com os sentidos ou com os órgãos, mas com o coração que é a morada dos nossos sentimentos. A primeira é uma verdade subjetiva e a sua própria subjetividade depende dos sentidos, não é permanente, é mutável dependendo do aprimoramento dos sentidos.

Já a verdade objetiva, quer dizer, aquela que é captada pelo nosso coração, esta sim é permanente e imutável e não é atingida pela passagem do tempo. É como a própria sequência da vida que é nascer, crescer, declinar e morrer, esse é um exemplo de verdade objetiva, que é eterna e igual para todos.

O exemplo que podemos buscar de verdade objetiva é oferecido pelo conceito de humanidade: o homem como corpo, mente e intelecto morre, mas sua humanidade vive eternamente.

A humanidade do homem é a sua verdade. A ela se juntam todos os princípios que mantém a vida: justiça, moralidade, compaixão, humildade, tolerância e todas as outras qualidades, que representam os componentes da verdade e moram eternamente no homem constituindo os meios de que ele precisa para alcançar sua perfeição.

Sabemos que a verdade nasce no coração do ser humano, e é pelo coração que deve passar cada processo de formação das pessoas.

Diz-se que a verdade é o amor sem palavras. De fato, a verdade encontra sua expressão materializada em palavras quando elas são filtradas pelo coração. O amor e a verdade são indivisíveis.

 

A falsidade e a mentira conduzem ao sofrimento e à miséria

O egoísmo e o desejo de fazer mal aos outros, são o inverso da verdade, porque as suas finalidades não estão embasadas no amor. São sentimentos que degradam e contrários à natureza humana e que a colocam ao nível animal, atraiçoando a sua origem.

Toda atitude (ação) provoca uma reação proporcional e da mesma natureza daquela que a produziu. Quando as palavras não surgirem envolvidas pela verdade, pelo amor e representem o falso, as consequências inevitáveis serão o sofrimento e a miséria moral e material.

De todos os cinco valores humanos, o básico é a verdade, ela é o primeiro, porque sem ela os outros valores não existirão. Quando se descobre a verdade perceberemos a interligação com tudo e com todos, sentiremos que a nossa verdade é uma com a de cada um e

 

Ação, o resultado do pensamento

A verdade colocada em ação resulta em retidão ou carater íntegro. Este principio faz parte da natureza humana e é uma forma fundamental de perfeição do homem. Agir é indispensável para o homem viver; mesmo o preguiçoso que não quer fazer nada, toma uma atitude, a de ser permanentemente preguiçoso. A atitude de respirar, comer e digerir é um trabalho que o corpo deve enfrentar diariamente.

Os mecanismos da ação vêm dos nossos órgãos do sentido, guiados pela nossa mente que é onde moram os nossos pensamentos, e assim sendo, é de lá que se originam as nossas ações.

Se os pensamentos estão coligados ao desejo e inspirados por ele, dificilmente a ação será correta, mas essencialmente egoísta e então diversa da verdadeira natureza humana. Porém, sendo um pensamento originário da nossa vontade que tem como sustentação a verdade, então sim, acontecerá uma ação correta. Esta será uma atitude que irá elevá-lo e o seu exemplo contribuirá para o crescimento também dos seus semelhantes e a sociedade em que vive. Assim sendo, a verdadeira riqueza de uma pessoa, é o seu comportamento correto que esteja sintonizado com as leis do Universo, que são embasadas na verdade. Ou melhor, na Consciência Universal.

Uma sociedade em que as pessoas se comportam com integridade, colocando em prática os princípios mais elevados da verdade envolvendo as palavras, é realmente o Paraíso na Terra.

 

Circunstâncias de tempo e lugar e maneiras de agir corretamente

O tempo, os modos e lugares diversos nos impedem que a ação seja correta. Ela está interligada com o papel e o estado social de cada pessoa. O chefe de família deverá se comportar, por exemplo, de maneira a seguir a sua ética; o soldado fará o mesmo com o seu código de conduta; o estudante deverá se enquadrar ao seu estado, que é o de se dedicar inteiramente aos estudos e fazer os pais felizes por o terem criado e permitido educar-se. Quando ele se envolve em atitudes estranhas ao seu estado de estudante, estará perdendo seu tempo e representará um perigo futuro para a sociedade em que vive. Assim sendo, se em uma sociedade todos cumprirem o seu próprio dever, segundo o seu específico papel, a harmonia, a paz e a prosperidade não ficarão ausentes. Se uma pessoa não cumpre o seu próprio dever e invade o território reservado para o outro, humilhando-se, seguindo os caprichos dos desejos, da mente que controla as futilidades mais disparatadas, sem nenhuma avaliação nem inteligência, então uma sociedade que poderia ser civilizada e desenvolvida se tornará pior que uma selva.

 

Esse valor – agir corretamente – é o emblema de garantia para uma sociedade justa e sadia.

 

Paz – razão e objetivo do esforço humano

A paz é a finalidade e a razão de todos os esforços da humanidade. Cada ação correta ou incorreta, cada pensamento bom ou mau, resulta em ultima análise em como encontrar a paz, porque o ser humano procura a sua verdadeira natureza que é a paz.

Ele está, porém, permanentemente agitado, preocupado com pequenas coisas, atormentando-se pensando no futuro e recordando um passado que nunca mais voltará. Neste turbilhão a sua paz estará irremediavelmente perdida e a porta das doenças físicas e mentais, ficará aberta e por ela entrarão a depressão e a infelicidade.

 

Do que depende a paz?

A característica natural do homem é a paz, mas ela depende das emoções boas ou más que residem na nossa mente e que, senão estão equilibradas e controladas, produzem estado de perturbação e, assim, a perda da paz.

Por acaso, se estivéssemos distantes de nossa casa e em nossa cidade acontecesse um incêndio e ninguém nos falasse nada sobre isso, ficaríamos em paz. Mas uma vez que fossemos informados, começaria um mundo de preocupações que nos agitariam e perderíamos a paz. Tudo depende de nosso estado emocional, caso não se consiga o controle necessário, por falta de elementos, capazes de frear os nossos impulsos e emoções.

 

Como obter?

Isso é causado pela falta de conhecimento de si próprio, porque se nos entendêssemos profundamente, saberíamos controlar nossas reações. No entanto, o perfeito equilíbrio diante dos acontecimentos e das circunstancias se consegue reconhecendo o que é esclerosado na vida. Esse entendimento só é possível quando a pessoa segue a verdade, vive na verdade e se comporta com retidão – então ela compreenderá que tudo existe nela e que a base de tudo esta nela e não fora dela. Desta maneira ela irá enfrentar todas as circunstancias de forma destemida e em completo estado de paz. Nada do que existe fora de nós tem poder para nos tirar a paz, mas ela depende apenas de nós, de nosso sistema emocional. Caso não exista paz no homem, não haverá paz na família, se não existir paz na família não haverá paz na comunidade, se não existir paz na comunidade não haverá paz na nação, se não existir paz na nação não haverá paz no mundo.

Portanto a paz mundial depende exclusivamente da paz individual e esta última da própria pessoa e da sua capacidade de expressar os valores que tem no fundo do seu ser.

 

Amor, denominador comum dos valores humanos

É através do amor que poderemos interpretar bem os outros valores. Verdadeiramente é o amor nas palavras que traduz a verdade, é o amor nas ações que resulta em retidão, é o amor nos sentimentos que se transforma em paz, é o amor com tudo e todos que gera a não violência.

Sendo assim, o amor é a perpetuação que une toda a humanidade em uma única unidade igual ao fio que mantém juntas as perolas de um colar.

A harmonia, a paz e a elevação espiritual, são alimentados pela circulação do amor que liga todos os valores dos seres humanos.

Se não praticarmos o amor, vamos encontrar muitas barreiras na vida, enquanto que com o amor ficamos aptos para ultrapassar qualquer problema.

A fonte do amor é a alma ou a psique e ali se encontra o grande poder de que cada pessoa é dotada.

O amor é ausência de egoísmo, o egoísmo é ausência de amor!

Caso num país não se sinta a presença do amor, fatalmente ele estará dominado pelo egoísmo e essa sociedade estará fadada a autodestruição. Mas se o amor for visível, a intuição superior mostrará a unidade que existe escondida na aparente diversidade e será visível a interligação entre todos. O progresso será então uma condição inevitável.

 

O amor tem muitos aspectos

O amor tem muitas formas, mas o mais puro é o que não pede nada em troca; este não está manchado por nenhum egoísmo e é o real altruísmo ou o verdadeiro humanitarismo. A pessoa humanitária sente a solidariedade humana, a consciência de sermos todos irmãos, que as diferenças são coisas superficiais, e até úteis, e que alegram a vida, dirigindo a pessoa para a compaixão, a tolerância e a humildade.

O amor não é uma emoção que surge de um desejo material, ele é uma energia. O amor é a mais forte energia que pode haver no universo, que sempre estará crescendo, se oferecido aos outros.

 

Para receber amor é necessário dar amor

O amor que não for doado aos outros, dividido e repartido, transforma-se numa energia estéril que não consegue mais evoluir; torna-se uma água estagnada, onde proliferam bactérias e que em longo prazo será um perigo.

O amor expandido ao infinito é a forma real do ser humano. A própria criação é um ato de amor e tudo que há na natureza e no universo não pode surgir de outra coisa que não seja da própria origem do seu Criador, que é Amor. Os valores humanos estão representados neste fato comum: não há nenhuma pessoa na humanidade que não sinta amor e que não o manifeste, nem que seja para consigo mesmo.

 

A não violência é o apogeu do desenvolvimento humano

A não violência é o apogeu do desenvolvimento humano e é a marca da perfeição conquistada. É o amor universal que enlaça tudo e a todos.

A não violência é uma característica típica da pessoa espiritualizada que conseguiu chegar ao máximo da sua evolução como ser humano e alcançou a finalidade da vida inteira. Nesse estagio a pessoa sente e vivencia a unidade entre si e todos os seres vivos de todos os mundos. E esse será o conhecimento total de nossas obrigações e deveres para com toda pequena coisa criada no universo.

A não violência para com as pessoas significa não machucar ninguém, com pensamentos, palavras e ações.

A não violência contra as árvores e os animais quer dizer, impedir toda atitude que viole as leis naturais e que não respeite o equilíbrio estabelecido no mundo pela natureza.

 

Expressões de não violência

A não violência se observa na prática do dia a dia, quando forem respeitados os cinco itens seguintes:

1.Não desperdiçar dinheiro

2.Não desperdiçar tempo

3.Não desperdiçar energia

4.Não desperdiçar alimentos

5.Não desperdiçar conhecimento

 

O dinheiro

Através do dinheiro vive-se o lado material a vida, ele é um meio de troca que permite a circulação de bens. Isso não seria um mal em si, mas torna-se algo muito negativo quando é mal utilizado ou desperdiçado, descaracterizando a sua verdadeira função.

Para não perder dinheiro é preciso ter uma tática de vida muito superior, seja ela a vida de cada um ou a vida dos outros.

Em todos os tempos o dinheiro tem sido um meio para corromper corações e mentes. Todos pensam que a verdadeira riqueza de um país está ligada à riqueza material que se acumula sem qualquer respeito por nenhuma norma ética, porém o comercio sem moral torna-se criminoso. Isso forma um desequilíbrio grave entre quem dá e quem recebe maldoso mesmo, porque o dinheiro que foi conquistado por meio desonesto não pode ser chamado de outra coisa a não ser desonesto. No entanto, se, pelo contrário, o dinheiro fosse utilizado como o mediador real do esforço humano, para ajudar o desenvolvimento correto e pacífico das pessoas, da comunidade, porque isto é sagrado e ele não poderia ser desviado. O dinheiro deve circular e não ser entesourado, dessa maneira ele poderia ser comparado ao esterco que acumulado fede, mas quando espelhado pelo campo ele o fertiliza.

A responsabilidade relacionada ao uso do dinheiro é grande. Caso sejam oferecidos 10 para um trabalho que vale 1, estamos sendo fiadores pelo desperdício dos outros 9. E o inverso seria usurpar – portanto, uma situação que poderá provocar violência.

 

O tempo

O tempo é aquele que mede a vida. Com o tempo determinamos as coisas e os fatos.

Todas as pessoas têm a sua disposição um período certo de tempo, a sua vida, para usar de maneira útil.

Desperdiçar tempo quer dizer jogar fora a própria vida.

 

A energia

A energia de nosso corpo, que nos faz viver, é dada pela transformação do alimento que comemos. Ela pode ser usada de muitas formas, permitidas ou não. Será necessário tomar consciência e pensar profundamente no que significa agir corretamente, para ficarmos seguros de que não estamos desperdiçando energia. Não estamos nos referindo apenas à energia pessoa, mas a que é ligada aos diversos elementos da natureza: eletricidade, gás, petróleo, água, etc. Essas energias funcionam para a evolução das atividades produtivas da sociedade e desperdiçá-las significa que estamos impedindo que outra pessoa possa fazer uso dela. Em outras palavras, isso é violência.

A sociedade atual, baseada no consumismo, é uma sociedade fundamentalmente violenta, porque permite espaço para desejos fúteis a partir do momento em que responde aos ditames da moda. Assim perdemos nossas energias e os nossos salários, e como resultado, entre outras coisas, está aumentando a demanda do mercado e assim o aumento de preços. Esta é também uma forma de violência, no plano pessoal e social. E finalmente há outro tipo de energia, que é a espiritual. Essa é uma fonte inesgotável e tomar contato com ela é ficar em estado de poder dominar os elementos da natureza. Não deixar essa força evoluir é um desperdício e, portanto, também se torna violência.

 

O alimento

É do alimento, e isso já falamos que surge a energia que nos permite exercitar nossa vivencia. Todas sabem que qualquer ser humano tem direito de comer pelos menos uma vez ao dia.

Desperdiçar alimento é o mesmo que não deixar que aconteça a circunstancia que enseja o direito de existir de cada um. Aquele que desperdiça alimento ou que come excessivamente está sendo responsável por aquele que não tem o que comer. Todos nós somos culpados pela fome do mundo, porque desperdiçamos alimento sem nos preocupar com as conseqüências que surgem disso. Assim estamos impedindo que a vida exista – e essa é a maior das violências.

 

O conhecimento

Da mesma forma, o conhecimento conquistado por meio da educação e da experiência, se for desperdiçado em atitudes inúteis e perniciosas, será violência para consigo mesmo e para com a sociedade.

Toda ciência que não esteja voltada para o desenvolvimento do ser humano é inútil e perigosa. A tecnologia, filha da ciência, que não estiver a serviço da melhoria do estatus de vida do ser humano e dos seus valores, é desperdício e sem sentido.

O conhecimento que brota da experiência mística precisa ser dividido com os outros, de outra maneira será elitismo.

É necessário colocar à disposição de todos o conhecimento pessoal, para dar chances a cada pessoa de fazer crescer a sua personalidade e entender a própria vida. Isto sim é o contrário da violência. O conhecimento reservado para si próprio ou apenas compartilhado com alguns amigos ou intelectuais será apenas esterilidade.

As pessoas precisam pagar o debito de gratidão para com os sábios e os santos do passado, doando ao maior numero possível de pessoas o conhecimento que conquistaram graças às suas experiências.

Reservar apenas para si próprio o conhecimento ou desconhecê-lo é um enorme ato de violência contra si e a sociedade.

 

A real riqueza são os valores humanos

Se uma pessoa chegar ao ponto de poder passar adiante a enorme riqueza que existe em si e iniciar o uso dela para o seu bem e dos seus irmãos, ai sim, a vida irá transcorrer feliz e sem inconvenientes, servirá de ajuda e de exemplo para o próximo. Essa pessoa vai encontrar dentro de si mesma a paz, a alegria e não fora dela. Poderá reequilibrar o grande desperdício que acontece hoje em dia, produzido pela quantidade de desejos de coisas inúteis que a mente humana esta produzindo.