Como Transmitir os Valores Humanos

VALORES HUMANOS

COMO TRANSMITIR OS VALORES HUMANOS

“Sem saber avaliar o ser humano estará incapacitado de conhecer a verdade sobre si mesmo e sobre o mundo!”

 

Pensamentos bons, qualidades nobres

As raízes das ações surgem do pensamento; isso significa que a nossa forma-pensamento condiciona o comportamento. Por esta razão é que a pureza das idéias e fundamental para consolidação dos“Valores Humanos”.

As crianças são moldáveis como a argila e, assim sendo, é muito fácil para elas aprenderem os valores que lhes quisermos ensinar. Não há complexidade na transmissão para as crianças de bons pensamentos e boas ideias ou torná-las positivas para terem um bom desenvolvimento da personalidade.

Verdade, paz, amor, ações corretas e não violência são valores nobres que precisam ser cuidados como flores muito delicadas. Mas devemos lembrar que para a flor crescer, o bom jardineiro cortará fora todas as ervas daninhas, para deixar o caminho livre para o seu florescimento. As dificuldades ocultas e as incompreensões dos pais e mestres geram as sementes daninha que precisam ser extirpadas uma vez que criam obstáculos à plantação de sementes novas, ou melhor, à afirmação dos valores já inatos em cada criança.

Dúvidas e objeções

Vejamos algumas dúvidas e objeções que são feitas com relação ao ensino dos valores humanos.

Muitos acreditam que esses valores devem ser aprendidos somente com a vivência e que por causa disso não se deve incluí-los em nenhum processo educacional e que, assim sendo é inútil aplicá-los nos processos educativos.

A resposta para essas objeções é a seguinte: se os valores ou a moralidade devessem ser “apreendidos” de maneira independente do movimento educacional da escola, o bom resultado já teria aparecido há muito tempo e não haveria a crise do mundo atual. E assim bastaria voltar aos ensinamentos e aos exemplos dos fundadores das grandes religiões para que o mundo ficasse moralmente sadio.

E como de fato as mudanças não surgiram, poderemos deduzir que os valores não podem ser apenas “aprendidos”, mas também“assimilados” e isso só será possível se à educação for anexado o ensino da moral ou dos valores.

Existe outra objeção que diz que o professor deve estar sempre ao lado da criança, para que ela seja guiada corretamente, uma vez que as tentações de errar acontecem a todo instante.

Para isso os professores precisam ser portadores destes valores dentro de si mesmos e exprimi-los principalmente por meio de uma vivência que seja orientada por esses valores. Assim, as qualidades básicas se manifestarão através da sua linguagem, do seu comportamento, da sua personalidade, enfim. É neste sentido que dizemos que os valores devem ser“apreendidos” pelas crianças por meio do comportamento do educador, mas isso não basta. Precisamos deixar o aluno consciente do perigo de um desabrochar negativo da sua personalidade, de modo que ele seja capaz de evitá-lo. Elas precisam aprender a derrotar as tentações negativas.

Vejamos um exemplo: um garoto vê alguma coisa de que gosta, mas não pode comprar. E pode surgir a tentação de consegui-la de qualquer maneira. Vai e rouba aquilo de que tanto gostou.

Para todas as crianças esse tipo de tentação acontece a todo o momento, a todo instante, e se ela se satisfizesse da maneira dita acima, o instinto negativo poderá sempre prevalecer.

Seria irreal pensar em estarem ao lado da criança as 24horas do dia e a vida inteira; a devesa será garantida somente se o educador souber incutir nela, com sabedoria, despertando a sua fidelidade eterna nos seus próprios e melhores valores.

Uma outra objeção é esta: o ensino das qualidades humanas não pode ser feito separadamente como História, Geografia ou Matemática, porque se esse estudo fosse incluído, o currículo escolar ficaria muito grande e não teríamos bons resultados.

Nós acreditamos que os valores devem ser ensinados desde o inicio, nas primeiras séries, para evitar que as ervas e os terrenos com obstáculos dificultem muito o crescimento das boas sementes.

E há outra objeção, contrária a anterior:“Esse é um assunto muito abstrato e morto para as crianças, e assim deve ser abordado como um assunto separado das outras matérias.” A isso devemos responder que o estudo dos valores não tem nada a ver com o clássico estudo do catecismo e que não se trata de uma listagem de coisas que devem e outra das que não se deve fazer. Não é dessa forma que os valores humanos precisam ser ensinados. Ao contrário, será útil empregar exemplos de circunstâncias da vida dos filósofos, personalidades importantes, mesmo em contos populares de vida de santos de todas as religiões e exemplos práticos da vida de todos os dias.

Deve ser um assunto vivo muito mais do que as outras matérias escolares, porque a todo instante da vida a criança se encontrará diante de escolhas e vai necessitar aprender a discernir entre o justo e o injusto, o bem e o mal. Exemplo: “Posso fazer isso?”, “Posso jogar a casca de banana no chão?”, “Posso atirar pedra no ônibus?”, “Posso cuspir no chão?”, “Fulano me bateu, o que devo fazer?”. Ou ainda quando a criança está em casa e a mãe lava a roupa, poderá ter o seguinte problema e dificuldade de decidir entre as três alternativas: “Mamãe lava roupa, vou dar a ela o meu vestido para que aproveite e lave também?”. Ou: “Se eu lavar o meu próprio vestido não darei trabalho para ela?”. Ou: “Deixo-a lavar e fico indiferente?”

A decisão dessa criança vai depender muito do que os professores e os próprios pais foram capazes de lhe ensinar. Será o seu pensamento que irá determinar a sua ação. A qualidade surge de uma situação viva e assim sendo, não se trata de um assunto morto. Os Valores Humanos não são uma matéria a mais, são ensinamentos que o professor encontrará oportunidade de introduzir em qualquer das matérias que ele esteja ministrando.

Provavelmente o ensino dos valores, pelos métodos como hoje se aplica a educação, será enfadonho porque os educares não sabem como ministrá-las. É por esta razão que é preciso adestrá-los sobre o método de transmitir os “valores humanos”.

Métodos de ensino

Vamos analisar como será possível introduzir os “valores” no sistema educativo.

Vejamos três exemplos:

a)Instrução moral direta – geralmente é através de duas semanas de educação moral ao longo do período letivo. Porém, uma vez que se trata de uma matéria sem provas finais, as crianças juntamente com seus próprios mestres, quem sabe fossem tentados a utilizar esse tempo para rever outras matérias. A discutidíssima e criticada hora de religião, razão hoje de disputas político-acadêmicas, é um exemplo de instrução moral direta. Dessa forma não teríamos o resultado desejado.

b)O ensino dos “Valores” numa abordagem casual – quer dizer: aguardar um instante oportuno para introduzir o método dos valores. Por exemplo: quando uma criança chega frequentemente atrasada, aí está uma boa motivação para ensinar a ela a questão da disciplina. Para isso poderíamos agir de diversas maneiras: sacudir a criança pelos ombros seria uma violência que deixaria a criança abalada, e deixaria o professor irritado e nervoso; a outra seria a recompensa e a punição que também tem consequência que precisam ser bem analisadas com atenção e prudência; a disciplina aplicada através do medo seria artificial, e provavelmente produziria efeito contrário e não atingiria os resultados desejados; finalmente, se a criança não tiver compreendido a razão de tudo que lhe foi ensinado ela provavelmente se negará a voltar à escola. Vemos que dessa forma também não obteremos o resultado desejado.

c)Abordagem integrada – a abordagem integrada é o método mais interessante e quer dizer o seguinte: tornar a vida da escola inteiramente moral.Esse método não quer dizer introduzir sistematicamente os valores em todas as matérias, mas de preferência criar uma ligação entre a matéria que está sendo ensinada, à situação vivida e as circunstâncias da vida.

Em primeiro lugar levar em consideração momentos reais, coligados com a matéria aplicada. Vejamos um exemplo: em Ciências pode-se utilizar a balança para ensinar de maneira metafórica os valores. A balança, na verdade, uma vez que nos apresenta o peso justo, deve ser fiel, constante, sensível e neutra. A balança não diferencia uma bacia cheia de pedras e a outra cheia de ouro. Sensibilidade, estabilidade e constância devem ser qualidades sempre presentes no ser humano, se ele quiser ser um integrante justo e equilibrado dentro da sua sociedade.

Na matemática podemos utilizar o exemplo da importância da economia do esforço e a ligação que existe entre um ato e outro. A lógica da matemática permite minimizar os esforços para solucionar diversas questões e mostra a relação das conseqüências de um assunto dado e assim ensina que a ação e o pensamento criam por sua vez outra ação e outro pensamento.

A equação matemática, por exemplo, que diz que duas situações aparentemente diversas contem uma única incógnita, ou que o valor que adquire uma incógnita em uma equação, dependerá dos valores com que ela estiver coligada. Se pegarmos a água de uma pia batismal seria absurdo querer beber, nem que a gente se arriscasse a morrer de sede, além do que ela simboliza, no entanto, tomaríamos tranquilamente a mesma água se ela estivesse noutro receptáculo diferente pois tudo depende do recipiente em que ela está colocada.

Assim ensina-se que tudo é relativo e que o objeto, quando relacionado a um conceito elevado, tem a sua qualidade aumentada. Se não forem alcançados bons resultados no ensino dos valores, é porque devemos estar usando exemplos abstratos e pouco conhecidos das vivencias das crianças.

Em todas as matérias há a chance de se comunicar os valores e tirar deles os melhores resultados morais; tudo isso vai depender exclusivamente daquele que ensina e da sua perspicácia.